Segunda-feira, 13 de Julho de 2009

O que é certo e bom merece destaque e elogio

Não sou uma ecochata bocó. Mas também não bato palminha para quem não está nem aí com nossas responsabilidades com o futuro do planeta.

Ao invés de ficar estorvando os amigos com abaixo-assinados praticamente inúteis e discursos enfadonhos, prefiro a ação: tento otimizar o comportamento ecológico diretamente no meu dia-a-dia.

Isso significa que procuro não usar o carro (e também não muito o ônibus). Significa que separo o lixo do lixo-que-não-é-lixo, como foi batizado aqui em Curitiba, para reciclagem. Outra coisa bacana que me dá o maior prazer fazer é ir ao mercado e não usar nenhuma sacola plástica, inclusive quando faço compras grandes.

Enfim, em vez de retórica, eu prefiro a ação com o que está ao meu alcance.

Uma das coisas que mais tem me preocupado ultimamente é a excessiva produção e o consumo exorbitante de materiais eletrônicos. O setor é dinâmico e a cada semana somos entupidos de novidades que os mais ansiosos não conseguem ignorar.

Mesmo quem não tem esta ânsia de consumo (meu caso), invariavelmente acaba produzindo muito lixo tecnológico. Depois de, sei lá, uns 16 anos de "consumos tecnológicos", fiz uma limpa na minha casa e descartei nada menos que 4 teclados e 12 (é, 12!) mouses, além de vários HD's, modens e caixas de som (os computadores velhos tinham ido já inteiros para doação). Isso sem falar no monitor queimado que ainda está na minha área de serviço porque não lhe demos o devido encaminhamento e nos 3 celulares velhos guardados (e olhe que NÃO somos muito de trocar de aparelho à toa), no computador praticamente inteiro encostado e nos 2 mouses, 1 teclado e 1 monitor que decidimos manter como "reserva".

Por isso fiquei muito feliz quando li a notícia abaixo. E acho que este modelo deveria ser adotado por todo o Brasil:

Lei para o lixo eletrônico

governador José Serra sancionou a Lei 13.576/09 que institui normas para a reciclagem, gerenciamento e destinação final do lixo tecnológico. Fabricantes, importadores e comerciantes desses produtos, com atuação no Estado de São Paulo, terão que reciclar ou reutilizar, total ou parcialmente, o material descartado. Se o reaproveitamento não for possível, esse lixo terá que ser neutralizado, em benefício do meio ambiente e da saúde pública. A lei é mais do que oportuna, dada a rapidez da evolução tecnológica, a expansão da chamada inclusão digital e o impacto ambiental trazido pelo descarte irregular de todo tipo de produto eletrônico.

A ONU calcula em 50 milhões de toneladas o lixo tecnológico descartado anualmente no mundo. O Brasil tem participação nada desprezível, pois se comercializam no País, em média, mais de 12 milhões de computadores por ano e, de acordo com dados do Comitê de Democratização da Informática, mais de 1 milhão desses aparelhos são descartados anualmente. Em 2008 foram vendidos 11 milhões de televisores e, de cada 100 brasileiros, 82 possuem telefones celulares, conforme a Agência Nacional de Telecomunicações.

São produtos com vida média de três a cinco anos e, depois, viram lixo tecnológico. Os metais neles empregados, em geral tóxicos, precisam em média de meio milênio para se degradar, conforme a Secretaria do Meio Ambiente.

Apesar da gravidade do problema, o Brasil espera desde 1991 pela aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos, agora parada no Congresso Nacional. A única norma sobre o recolhimento de material eletrônico no País é a Resolução 257, do Conselho Nacional do Meio Ambiente, de 1999. Por ela, fabricantes ou importadores de pilhas e baterias são responsáveis pelo gerenciamento desses produtos que necessitam de disposição específica por causa dos metais tóxicos que contaminam lençóis freáticos.

O cumprimento da resolução, no entanto, está muito longe do ideal. O Brasil consome 1,2 bilhão de pilhas por ano e, desse total, apenas 1% tem destino controlado e ambientalmente correto.

A lei estadual veio, portanto, suprir essa falha enfrentando, inclusive, os representantes das indústrias do setor. Eles alegam que normas diferentes, partidas de um ou outro Estado, dificultam as ações das empresas instaladas em vários pontos do País. No entanto, é obrigação de toda empresa zelar pela proteção do meio ambiente e ser socialmente responsável, independentemente das leis em vigor. É o que se lê nos sites e folhetos sobre a "missão" das companhias, mas nem sempre é o que se pratica.

Em 2008 a indústria eletroeletrônica faturou R$ 123,1 bilhões - 10% mais do que em 2007, segundo sua entidade de classe, a Abinee. É um setor que cresce com vigor e que, portanto, pode investir em favor do meio ambiente.

Mas a responsabilidade não é só dela. O autor da Lei 13.576/09, o deputado estadual Paulo Alexandre Barbosa (PSDB), também incluiu no texto exigências para que a população seja informada sobre os riscos do produto que está comprando. Rótulos e embalagens devem conter o detalhamento da presença de metais pesados e substâncias tóxicas na composição do material fabricado e também o endereço e o telefone dos postos de descarte.

Tão importante quanto a entrada em vigor da lei e o seu enforcement são as ações educativas para conscientizar realmente a população sobre o perigo provocado pelo descarte irregular das sucatas eletrônicas. Em vários países europeus, leis estabelecem a necessidade de informações nos produtos sobre os riscos de contaminação. Também os fabricantes são obrigados a recolher os produtos descartados pelo consumidor.

A tendência mundial é de, a partir de informações aos consumidores, ampla fiscalização e uma adequada estrutura de coleta, procurar evitar que essa nova fonte de poluição se torne, em breve, um novo tormento para o planeta.

O exemplo de São Paulo deveria ser seguido com urgência por todo o País.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Propaganda do PSDB desta quinta

https://www2.psdb.org.br/interna/cotidiano_videos.php?idvassir=68&id=56

Finalmente estão falando o que há tanto tempo apontamos: o PAC é uma farsa.

PS: há outros vídeos interessantes no site.

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Vascaínos matam flamenguistas, e o Brasil aplaude

Os vascaínos chegaram em motos, vestidos de preto, a cor predileta dos fascistas. Armados de porretes e pistolas, seus alvos eram os flamenguistas, muitos deles mulheres, que pediam liberdade, abertura e eleições de verdade.

Líderes rubro-negros foram detidos. Seus simpatizantes, mortos e espancados nas ruas. Os vascaínos calaram a imprensa, prendendo jornalistas locais e expulsando os estrangeiros, para que seus crimes não fossem registrados.

Após intensa e sangrenta repressão, os flamenguistas deixaram as ruas para os vascaínos seguirem oprimindo a população em geral: tricolores, corintianos, palmeirenses, gremistas, cruzeirenses. Só restou aos flamenguistas gritarem, poética e desafiadoramente, "Zico é o maior!" do telhado de suas casas.

Uso do lulismo ("uma coisa entre flamenguistas e vascaínos" foi como o nosso presidente avaliou inicialmente a gravíssima crise no Irã) para descrever os trágicos acontecimentos naquele país. Quem sabe assim fique mais clara ao petista a vergonhosa posição brasileira na crise, de apoio cego a uma teocracia autoritária e repressora. Seria como se estrangeiros apoiassem cegamente o governo Médici enquanto os companheiros eram mortos e torturados nos porões da ditadura brasileira. É o que Lula faz em 2009.

Esse apoio, como quase toda a nossa política externa, é mal explicado. O chanceler brasileiro, Celso Amorim, questionado no Roda Viva da TV Cultura, gaguejou, ziguezagueou e não conseguiu justificá-lo. O diplomata acabou sugerindo a existência de uma suposta agenda secreta iraniano-brasileira, interessante o suficiente para fazer com que o governo brasileiro tape o nariz, os olhos e a boca ao lidar com Teerã.

O Brasil tem hoje voz crescente e relevante no cenário global, graças à nossa capacidade econômica e estabilidade política, que nos projetam a um futuro maior.

Esse novo peso brasileiro precisa ser mais compreendido. Talvez estejamos vendendo nosso novo prestígio barato demais, a preço antigo. Fazendo políticas de governo no lugar de políticas de Estado. Priorizando o pequeno diante do grande.

O Brasil nunca foi sincero defensor dos direitos humanos em suas relações internacionais. Prevaleceu sempre a defesa da soberania interna dos países, mesmo que para reprimir seus cidadãos.

Ficamos assim, por exemplo, com a mesma posição de Rússia e China na questão iraniana, um alinhamento quase automático com os não-alinhados com a defesa dos direitos humanos e da democracia.

Não existe diplomacia moral, e os Estados só tem interesses. Mas isso não impede o Brasil de exercer pressão maior sobre regimes autoritários e sangrentos. Muito menos nos obriga a defendê-los ou prestigiá-los, como no caso iraniano, mas também no da Coreia do Norte, no do Sudão.

É fácil ganhar entradas em regimes párias apoiando-os quando todos os criticam. Mas se essas entradas não trouxerem resultados tangíveis ao Brasil, que justifique apoio a ditaduras que oprimem, torturam e matam seus cidadãos, elas levam apenas a mesquinhas trocas de favores, secretos ou não.

Pensata por:
Sérgio Malbergier é editor do caderno Dinheiro da Folha de S. Paulo. Foi editor do caderno Mundo (2000-2004), correspondente em Londres (1994) e enviado especial a países como Iraque, Israel e Venezuela, entre outros. Dirigiu dois curta-metragens, "A Árvore" (1986) e "Carô no Inferno" (1987). Escreve para a Folha Online às quintas.
E-mail: smalberg@uol.com.br

http://www1.folha.uol.com.br/folha/pensata/sergiomalbergier/ult10011u586305.shtml

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Direita, esquerda: respondendo a um questionamento

Escrevo este post baseada em alguns comentários que recebi, e não só neste blog, depois do "episódio Marcelo Tas x patrulha".

Pessoas dizem que eu sou até uma pessoa bacana, que até tenho idéias interessantes etc. e tal, mas… absurdo dos absurdos que elas não conseguem entender: como é que posso ter a "coragem" de me posicionar assim tão claramente por um candidato, um partido ou uma ideologia?

Primeiro, não nego: sim, é coragem. E tem pouca gente que, concordando comigo, expõe-se a ponto de vestir uma camisa de peito aberto para receber o chumbo e os tomates que vierem. Parece que o Brasil, infelizmente, virou um país de gente amedrontada (vai ver isso é culpa das patrulhas, não é?) ou desanimada (e vai ver isso é culpa desse show bizarro de corrupção pelo qual o país passa nos últimos anos, não é?).

É claro que ninguém precisa concordar comigo. O que eu espero numa conversa é sinceridade e respeito – na concordância e na discordância –, jamais que as pessoas concordem comigo em tudo (aliás, nem eu concordo comigo em tudo o tempo todo, ué). Em algumas pessoas de pensamento muito discordante, posso até dar unfollow da minha vida – O QUE É MUITO DIFERENTE DE FAZER CAMPANHA DE UNFOLLOW CONTRA ELAS, para quem não entendeu ainda. Se há sinceridade e respeito, como é o caso do Tas, a civilidade e a democracia permitem a convivência. Só o que eu não admito é desrespeito e malandragem, como pessoas que, por interesses escusos, usam de sofismas para convencer os outros de coisas que nem elas mesmas acreditam. São como vendedores embusteiros de idéias. Estes a gente tem que identificar logo e dar unfollow mesmo. Melhor até: dar block. Mais: é preciso denunciá-los.

Ao contrário destas pessoas, ajo por convicção. Quem me acompanha há mais tempo, tanto aqui quanto principalmente no Orkut, conhece meus motivos até de cor e salteado. E são tantos que eu nem conseguiria escrever sobre todos hoje e num único post.

Então vou responder apenas a uma observação que recebi pelo Orkut:

"pena que [você] foi se bandear para a centro-direita"

À parte aquela concepção que abrange a idéia de que ser de direita é ser a favor de quem está no poder e ser de esquerda é ser contra quem está no poder, que eu acho paupérrima, falar sobre direita e esquerda é complicado e demorado. Primeiro porque são termos que variam de compreensão a depender do momento histórico e da região do globo. Direita e esquerda no Brasil é coisa totalmente distinta de direita e esquerda nos Estados Unidos, por exemplo.

Um engano enorme, entretanto, é situar o PSDB à direita. O PSDB foi formado por uma dissidência insatisfeita, já há tantos anos, de políticos do PMDB, partido que se originou do MDB, contraponto à Arena, do governo militar. E já aí se confundem as coisas: nem mesmo o governo militar no Brasil pode ser considerado como direita, se tomarmos o tamanho do estado como ponto de julgamento nesta separação. A ditadura brasileira, à diferença da chilena, foi de cunho extremamente estatizante, posicionamento que também caracteriza a nossa, digamos, “esquerda vermelha”.

Além disso, o partido tem como bandeiras o parlamentarismo e a social-democracia, com base no modelo da social-democracia européia – que é a esquerda possível em oposição ao liberalismo, depois da queda do Muro de Berlin e o fim da URSS, com o colapso dos modelos socialistas e comunistas no mundo.

Como esta discussão vai loooonge, sugiro para quem tiver interesse de entender melhor o assunto, que faça este quiz no site da Veja:

http://veja.abril.com.br/idade/testes/politicometro/politicometro.html

São questões bem legais para meditar. Principalmente para os jovens, que herdarão o país e que estão prestes a se tornarem a próxima geração que o carregará nas costas com seu trabalho. Responda o teste hoje, medite, converse com as pessoas, com os amigos, com a família. Leia sobre o assunto, medite de novo, faça o teste de novo daqui duas semanas. E daqui a um mês. Daqui a um ano. Se nós estamos construindo este país e somos coagidos a votar, precisamos afinal saber exatamente se o que pensamos está de acordo com o que pensa nosso candidato.

Aqui tem meu resultado com alguns comentários:

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=316707&tid=2599560313475349260&na=3&nst=31&nid=316707-2599560313475349260-2599747788783907314

E também já tivemos alguns debates interessantes sobre isso aqui:

http://www.orkut.com.br/Main#CommMsgs.aspx?cmm=316707&tid=2468996004904612620&na=1&nst=1


Adendo

Uma definição de direitista e esquerdista segundo Reinaldo Azevedo:

"Um direitista democrático é aquele para quem as noções particulares de justiça não autorizam o esbulho da lei. Um esquerdista acredita que a lei possa ser solapada em nome de um entendimento particularista do que seja justiça."

É preciso destacar que o único "esquerdista democrático" possível é o social-democrata. As demais esquerdas, como nos comprovam Cuba, Coréia do Norte e, agora também, Venezuela, são incompatíveis com a democracia.

É preciso meditar para saber se afinal a prioridade deve ser da "ordem" (todos obedecem às leis democraticamente estabelecidas) ou do "progresso" (é preciso a transgressão de algumas leis para avançar a respeito, por exemplo, de questões sociais. Mais especificamente: pode o MST invadir propriedade privada com base em suas reivindicações?). E quem é que vai decidir em que circunstância e que lei pode ou não ser rompida?

Para pensar.

Sábado, 20 de Junho de 2009

Três tempos e algumas perguntas

Tempo 1

Texto em blog do Marcelo Tas:
"Como desde o início dessa crise, apóio a presença da PM no campus da USP. Como parte da sociedade, homens e mulheres entraram para a PM representam uma força militar sem a qual as cidades brasileiras estariam mergulhadas no caos. No caso da USP, a PM lá está para evitar cenas como esta acima, onde a liberdade do ir e vir, a liberdade de expressão de uma posição contrária, é contida aos socos e gritos. Na minha visão, neste lamentável episódio, a imagem da PM está sendo manipulada pelos grevistas que tentam pintá-la como a SS de Hitler, o que seria apenas patético e risível, não fosse uma visão infantil, vazia e preconceituosa."
http://marcelotas.blog.uol.com.br/arch2009-06-16_2009-06-30.html#2009_06-20_10_55_15-5886357-0


Tempo 2

Depoimento de contrários à greve em blog do Reinaldo Azevedo:
"Não cabe aqui a história toda, então vou resumir: hoje à noite, em um segundo protesto contra a greve, ALUNOS favoráveis à greve APEDREJARAM e ESPANCARAM alunos contrários à greve.Um aluno da história se sentou no chão pra mostrar que não ia reagir e levou um chute nas costas e, pelo BO que ele fez logo depois, foram vários socos e chutes.Uma menina da POLI que ficou pra trás comigo pra levar o nosso pessoal enquanto fugíamos por pouco não levou uma pedrada na cabeça, eu levei uma pedrada na perna.Foi batalha campal. Eles simplesmente partiram pra cima. Foi uma das coisas mais horríveis que eu já vi.
Um grande abraço indignado,
Danilo, 2º ano de RI da USP."
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/alo-reitoria-alo-pm-alo-governador-serra-o-sintusp-esta-espancando-alunos-em-plena-usp-e-ai/


Tempo 3

Comentário que recebi alguns posts abaixo, da Clara Carolina ( http://www.blogger.com/profile/16998235402650695587 ):
"Tudo bem cada um ter sua opinião, mas não dá para deixar de pensar que quem é a favor de pm na universidade é também a favor de estupro na favela, prostituição infantil nas orlas de Salvador, bomba contra palestinos e israelenses, tiro e paulada contra sem terra, burca nos corpos de mulheres ou qualquer forma de violência a qualquer outra pessoa que também queira expressar sua opinião. Qualquer poder é vontade de poder. Formas de resistência estão aí e são várias."

Vocês que me leram até aqui e concordam comigo que é possível discordar sem transformar o outro num inimigo a ser excluído da esfera de opiniões e que também concordam que a PM na USP é necessária para controlar os exaltados e – justamente! – garantir o direito de opinião (e de aula!) dos alunos, acham que nós somos a favor de:
1) estupro na favela?
2) prostituição infantil nas orlas de Salvador?
3) bomba contra palestinos e israelenses?
4) tiro e paulada contra sem terra?
5) burca nos corpos de mulheres? e
6) qualquer tipo de violência?

Se não concordam com a Carolina, concordam comigo que ela está nos acusando de ser favoráveis a crimes?
Percebem que ela está tentando nos isolar?
Percebem que ela está fazendo campanha para que o mundo do pensamento nos dê unfollow, ou seja, para que as pessoas não considerem a nossa opinião como válida?

Por fim, pergunto: quem é o fascista nesta história?
Pergunto também: a gente deve deixar que este tipo de opinião seja publicada nos comentários deste blog? É legítimo que ela me acuse de ser a favor de crimes (julguem vocês mesmos se sou!) e ainda por cima DENTRO de um espaço que é meu?
Se eu apagar o comentário dela (se ela não apagou, continua lá), isso seria censura?
Se eu apagar o comentário dela, estarei sendo fascista?

Explicando os posts abaixo para quem não twitta

Nesta noite Marcelo Tas, dono do perfil mais seguido do Twitter no Brasil, escreveu em seu microblog:

Olha a forma "democrática" como atuam os grevistas da USP. PM neles! http://migre.me/2yJY

O link direciona para um vídeo no Youtube que retrata a agressividade que os grevistas da USP usaram com aqueles que são contrários à greve.

Muita gente recebeu este texto, gostou e passou para frente, sempre dando o crédito ao Tas, em sinal de aprovação.

Mas quem tem opinião sobre as coisas e coragem para expô-las também expõe a si mesmo ao confronto de idéias. E é claro que algumas pessoas não gostaram da opinião do Tas. Só que não bastou aos discordantes declarar que discordavam. Não se contentaram em exercer a liberdade de ignorá-lo (em twittês, dar unfollow). Eles começaram uma campanha no Twitter para “isolar”, ou tentar diminuir a audiência do apresentador da Band.

O debate ficou acalorado e as atitudes das pessoas aclaradas. A audiência do Tas nem tchum, não mudou em quase nada, porque a “evasão” provocada pelos “democráticos” defensores da greve foi compensada pela nova audiência que o Tas ganhou por ter se posicionado. E agora a gente já ficou sabendo, conforme dão a entender os textos abaixo, quem afinal quer democracia da boca para fora (de preferência no megafone) e quem de fato quer vivê-la.

O quase

Em texto abaixo, escrevi ao Tas que "quase sempre quando discordo, silencio".
Explico agora o que faz aquele "quase" ali.

A democracia aceita todas as correntes de opinião. Menos uma: a que quer destruir a democracia.

Normalmente quem quer destruir a democracia utiliza-se de ações coletivas, também chamadas de patrulhamento. Funciona assim: "se você não concorda comigo, vou tentar te convencer. Se não adiantar, então não gosto de você e vou fazer campanha contra o seu pensamento, para que as pessoas também não gostem e seu pensamento não 'contamine' mais ninguém".

Notem que isso é diferente de "se você não concorda comigo, vou tentar te convencer. Se não adiantar, então não gosto de você, não vou mais te dar pelota e vou cuidar da minha vida".

O segundo discurso admite a existência do outro que pensa diferente, embora não queira interação com ele – afinal, é um direito, não é?

Já o primeiro discurso, não. O primeiro quer exterminar a existência do pensamento discordante. Assim, nesta democracia dos homens do primeiro discurso, nem todos os pensamentos são aceitos: só os concordantes. Os demais precisam ser destruídos. Seria ainda democracia?

Aí é que está a função do "quase" da minha frase. Eu não silencio diante das patrulhas. Eu não silencio diante daquilo que racha a democracia para depois destruí-la. As pessoas podem pensar e fazer o que quiserem (dentro dos limites da lei, é claro: pedofilia, por exemplo, não pode, porque nossos representantes decidiram que isso não é humano nem civilizado). Mas não vou silenciar diante de instrumentos que me impeçam de pensar e fazer o que eu quero.

Não aceitem silenciosamente as patrulhas. Façam patrulhas contra as patrulhas, se for necessário. Denunciem. Esperneiem. Recusem o pensamento que impõe o coletivo sobre o individual.